
A gravidez na adolescência segue como um dos principais desafios da saúde pública no Brasil, especialmente entre jovens de 10 a 19 anos. O país apresenta índices elevados em comparação a outras nações, e os impactos vão além da saúde física, atingindo diretamente a vida escolar, emocional e social das adolescentes, além de contribuir para a manutenção de ciclos de vulnerabilidade e pobreza.
Dados nacionais indicam que cerca de 1 em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos torna-se mãe todos os anos. Ainda mais grave é a ocorrência de gestações entre meninas de 10 a 14 anos, que, conforme a legislação brasileira, são caracterizadas como resultado de estupro de vulnerável. Outro fator de alerta é a reincidência: aproximadamente 20% a 25% das adolescentes enfrentam uma segunda gestação em curto intervalo de tempo.
Diante desse cenário, o tema integra as campanhas permanentes do CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) que, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e a Secretaria Municipal de Saúde, realizou na manhã da terça-feira, dia 24, uma ação educativa na Escola Técnica Estadual Doutor José Luiz Viana Coutinho.
A iniciativa integra a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pela Lei nº 13.798/2019, celebrada anualmente na semana que inclui o dia 1º de fevereiro e incorporada ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A legislação tem como objetivo disseminar informações sobre métodos contraceptivos, educação sexual e cuidados com a saúde, visando à redução da gravidez precoce no país.
Apesar da existência de uma data oficial no calendário nacional, os organizadores reforçam que a prevenção não se limita a um período específico. A campanha ocorre de forma contínua e permanente, reconhecendo que a proteção, a orientação e o acesso à informação precisam acontecer todos os dias, de maneira articulada entre escola, família, serviços de saúde e políticas públicas.
A atividade contou com a apresentação da peça teatral “O Auto da Camisinha”, encenada pela ECCART, que utilizou a linguagem artística para abordar, de forma acessível e direta, temas como prevenção, responsabilidade, sexualidade e consequências da gravidez precoce. A proposta buscou estimular a reflexão crítica dos estudantes sobre escolhas e autocuidado.
Durante a ação, a equipe do SAE/CTA esteve presente orientando os alunos sobre métodos de prevenção, saúde sexual e reprodutiva, além dos riscos associados à gravidez na adolescência.
Segundo os organizadores, ações educativas como essa são fundamentais para fortalecer a autonomia dos adolescentes e garantir o acesso à informação qualificada, contribuindo para a redução de índices que impactam diretamente o desenvolvimento social e a garantia de direitos de crianças e adolescentes.




















